
O primeiro e último dia da semana, seguindo o sábado e precedendo a segunda-feira, o domingo é vezes inspiração noutras consumidor do tédio.
Não costumo acordar cedo nos domingos, creio que isto não aconteça desde que era criança, quando o dia era marcado com churrasco para reunir a família, e voltas na avenida para tomar sorvete. Aquele cheiro de meio dia, a fumaça das churrasqueiras das casas disseminando pelas ruas o aroma inconfundível do churrasco, aquelas "televisões de cachorro", e os pombos pousando sobre o telhado das construções. A avenida vazia, alguns transeuntes perdidos pelo caminho, enquanto é hora de reunir os tios, os primos e avós, pra saborear este prato pitoresco e familiar. Os anos se passam, gastamos mais tempo com a internet do que com nossos parentes propriamente ditos. Talvez isso seja uma salvação, um alívio da contemporaneidade, ou a desgraça do laço familiar. Eis que nestes últimos tempos, ouço, paro, olho, cheiro e não sinto qualquer coisa que não seja a dor de cabeça que a ressaca proporciona em um belo dia de domingo. O tempo lá fora, não para, somos nós que o ignoramos, ou de certa forma, sufocamos o dia, pela busca acelerada de oxigênio da noite anterior. Uma fotossíntese que seria perfeita se esta relação além de bela, não fosse ordinária. Bem, mas vejamos, a noite, não tal como a inspiração matutina dominical, é poesia, boehmia, gatos pardos fuçando nos lixos, bêbados disformes, um paradoxo no qual sempre ousamos arriscar. Mais uma vez, mais duas ou três, bitucas e fumaça de cigarro se divagam pela paisagem negra, iluminada pela lua, e encantada pelas estrelas que na mais pura e cruel realidade, são apenas pontos luminosos que sustentam nossa ilusão. Eu apostaria todos os meus devaneios, e os seus também, se pudesses me provar o quão poderia o dia ser melhor que a noite, se estes não coexistissem. Eis que é bom se sonhar de dia, é bom acordar de dia, e até mesmo dormir de dia, assim como é bom sonhar à noite e viver à noite truncada em um paradigma de boas intenções, pois como dizia Dante, boas intenções pavimentam a estrada para o inferno. Pois a noite não se faz inferno e sim a realidade escancarada em sua moral. Antes mesmo do primeiro gole, absorto e medíocre, o bêbado depara-se preso, nu, emaranhado em lodo, a qual só ele mesmo consegue sujar-se, pois a onda proveitosa que magnetiza qualquer olho, durante a noite, pode ser um desastre para quem não conhece suas armadilhas. Antes mesmo de encerrar, gostaria de acrescentar, que as churrasqueiras, estão cheias e fumegando por todas as casas neste domingo, agora nublado. A chuva caindo, e abafando todo aquele mero ritual, tipicamente simples e puramente conceitual. As nuvens escondendo o horizonte, os vidros molhados por toda a aguaceira, as poças, as árvores, a paisagem, o contexto em si, uma abstração súbita e então logo se faz noite novamente, não como no primeiro mas a segunda, nasce em tom magistral.
Não costumo acordar cedo nos domingos, creio que isto não aconteça desde que era criança, quando o dia era marcado com churrasco para reunir a família, e voltas na avenida para tomar sorvete. Aquele cheiro de meio dia, a fumaça das churrasqueiras das casas disseminando pelas ruas o aroma inconfundível do churrasco, aquelas "televisões de cachorro", e os pombos pousando sobre o telhado das construções. A avenida vazia, alguns transeuntes perdidos pelo caminho, enquanto é hora de reunir os tios, os primos e avós, pra saborear este prato pitoresco e familiar. Os anos se passam, gastamos mais tempo com a internet do que com nossos parentes propriamente ditos. Talvez isso seja uma salvação, um alívio da contemporaneidade, ou a desgraça do laço familiar. Eis que nestes últimos tempos, ouço, paro, olho, cheiro e não sinto qualquer coisa que não seja a dor de cabeça que a ressaca proporciona em um belo dia de domingo. O tempo lá fora, não para, somos nós que o ignoramos, ou de certa forma, sufocamos o dia, pela busca acelerada de oxigênio da noite anterior. Uma fotossíntese que seria perfeita se esta relação além de bela, não fosse ordinária. Bem, mas vejamos, a noite, não tal como a inspiração matutina dominical, é poesia, boehmia, gatos pardos fuçando nos lixos, bêbados disformes, um paradoxo no qual sempre ousamos arriscar. Mais uma vez, mais duas ou três, bitucas e fumaça de cigarro se divagam pela paisagem negra, iluminada pela lua, e encantada pelas estrelas que na mais pura e cruel realidade, são apenas pontos luminosos que sustentam nossa ilusão. Eu apostaria todos os meus devaneios, e os seus também, se pudesses me provar o quão poderia o dia ser melhor que a noite, se estes não coexistissem. Eis que é bom se sonhar de dia, é bom acordar de dia, e até mesmo dormir de dia, assim como é bom sonhar à noite e viver à noite truncada em um paradigma de boas intenções, pois como dizia Dante, boas intenções pavimentam a estrada para o inferno. Pois a noite não se faz inferno e sim a realidade escancarada em sua moral. Antes mesmo do primeiro gole, absorto e medíocre, o bêbado depara-se preso, nu, emaranhado em lodo, a qual só ele mesmo consegue sujar-se, pois a onda proveitosa que magnetiza qualquer olho, durante a noite, pode ser um desastre para quem não conhece suas armadilhas. Antes mesmo de encerrar, gostaria de acrescentar, que as churrasqueiras, estão cheias e fumegando por todas as casas neste domingo, agora nublado. A chuva caindo, e abafando todo aquele mero ritual, tipicamente simples e puramente conceitual. As nuvens escondendo o horizonte, os vidros molhados por toda a aguaceira, as poças, as árvores, a paisagem, o contexto em si, uma abstração súbita e então logo se faz noite novamente, não como no primeiro mas a segunda, nasce em tom magistral.

1 Comments:
Noturno soturno...
Vivendo a noite, se recebe a inspiração dos deuses entorpecentes. Uma inspiração geralmente triste, talvez melancólica. Mas o que seria da vida de um poeta sem lágrimas? Como um poeta poderia nos comover sem ter seus sentimentos o esmagando?
Sobre churrascos e famílias, nada posso dizer. Eu quis unicamente uma coisa da minha família até hoje; distância.
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