Tuesday, July 17, 2007


Go Home! "Horror B"



O filme “Turistas” nada mais é do que um horror barato. A sutil semelhança com “O Albergue” de Quentin Tarantino não faz dele melhor. Sua estréia nos EUA, sob críticas arrasadoras de alguns dos principais jornais do mundo, só denotam o quanto o roteiro é equivocado. Ao apontar pontos fracos do Brasil, a história acaba virando um emaranhado de ideologias mal sucintas, que fazem com que o espectador se sinta horrorizado, ou como eu, indignado. As possibilidades de turistas que vem passar as férias no Brasil serem drogados, roubados, seqüestrados e torturados vítimas de uma quadrilha que rouba órgãos, liderada por um médico anti-imperialista e pseudo-nacionalista são surreais. O que denota uma falta de realismo e ponderação da parte do roteirista e do diretor do filme. Os turistas são burros e estão em busca de diversão barata, mulheres fartas, calor humano e praias paradisíacas.
O Brasil do carnaval e do futebol oferece tudo isto e mais um pouco, apesar de dissoluto não deixa de ser lírico, enquanto que o Brasil descrito no filme, é horror. As belas paisagens ficam atrás do enredo chocante. Faniquito, para quem odeia que falem mal do Brasil, e deixa, para uma polêmica na qual cada um pode defender o que lhe convém. A falta de tato do diretor John Stockwell ao utilizar um cenário paradisíaco transformando em “horror show”, se confirma pelo efeito surtido nas pessoas que assistiram o filme, estas ficaram chocadas pelo muito sangue derramado nas cenas que incluem exploração sexual, sadismo e xenofobia. Discordo com o ponto de vista do produtor Raul Guterres, ao alegar que nossa imagem já prejudica o Brasil. O Brasil fora explorado, e não de veras colonizado como os Eua, as conseqüências deste retrospecto são visíveis em nossa cultura, mas isso não faz de nós um lar de maníacos assassinos, alucinados por idéias psicóticas. e sim um país de marginalizados pela falta de oportunidade e pela cultura do tráfico. O homem é mal, seu instinto é perverso independente da sua nacionalidade, a procedência ainda desconhecida, sugere ser a mesma. Ora pois haveríamos de ficar calados ao ver nosso Brasil, malogrado e pintado de uma maneira da qual não é. Encerro este ensaio, politicamente mal correto, rezando para que o público estrangeiro realmente entenda o filme como mais um “horror show” americano, como sugere Dennis Harvey, crítico da bíblia do cinema, a “Variety”.

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