Thursday, January 10, 2008


A ignorância não vale a pena



Poderia começar falando sobre a violência, mas todos hão de convir que este é um tema que já se tornou mais do que clichê. Então, ao refletir sobre a realidade que nos é apresentada no filme TROPA DE ELITE, prefiro dissertar a respeito da ignorância que persiste em circular nos meios onde ela não deveria estar presente, como numa instituição de educação, por exemplo.
É triste constatar que a ignorância prevalece sem distinção. Não existe diferença entre o rico bem orientado e o pobre que não possui educação, se tratando de ignorância estão todos sob o véu do senso comum.

Outro tema que também está batido é o da desigualdade social. Todos nós sabemos que ela existe e as opiniões divergem de lá para cá e daqui para lá. Há muito tempo o homem constrói um mundo por meios imorais apesar de ter sido o próprio homem quem inventou o conceito de moral. A questão torna-se uma dúvida cada vez que problemas sociais vêm à tona, pois são muitas falhas e inércia para pouca ação. Falho é o sistema que tenta corrigir outro sistema falho. A educação trata-se de um investimento e ao que parece não consta nos nossos bens primordiais. Meios existem, boa vontade também, porém, encurtar o caminho e optar por uma vida fácil é a questão mais dissertada por aí. No enfoque de problemas e erros para cada tentativa de consertar um erro há uma pedra que pavimenta um caminho para o inferno e ao caos total. Um jovem bonito, inteligente com sede de viver, transita pelas ruas. Ele não é diferente dos outros, pois afinal, existem tantos jovens. Seu rosto estampa um semblante reflexivo, e ao mesmo tempo melancólico. O verde que tremula na bandeira de seu país, não o instiga a ser um patriota convicto, e a única bandeira que o faz sentir orgulhoso, é a do time para a qual torce. São preferências e não escolhas. Preferir continuar aqui porque estar lá é difícil, e estar lá porque estar aqui faz com que a dúvida consuma o espaço da escolha. E assim somos jovens tão velhos e tão acomodados quanto o nosso sistema. Fumar um cigarro de maconha é um símbolo de autonomia para muitos, e para outros é apenas uma das faces de uma fatal escravidão. Financiamos dia após dia a raiz dos nossos problemas. E aliciamos nosso caráter como se ele fosse o capital de giro das nossas ações impensadas. O nosso entretenimento pode ser uma desgraça se não soubermos com o que nos entreter, é muito fácil se divertir quando não se tem respeito por nada. Assim como é mais fácil ainda rir quando não existem limites. Assim para aqueles que persistem em acreditar que a relva é como uma sombra lúdica proporcionada por uma árvore espaçosa em meio a um campo infinito, que dá asas ao pensamento e faz com que a visão de mundo se amplie a uma ótica em câmera lenta. Proponho um desafio, que tentem podá-la. Podem o tronco que abre ramificações ilusórias no pensamento tão reles mortal, tão quadrado. Somos seres em movimento precisamos transitar nesta órbita ao invés de nos acomodarmos em frente à televisão e lamentarmos os tempos atuais dramatizando um passado brilhante de glórias e acontecimentos dignos de um prêmio Nobel. A questão está em simplificar as coisas, tudo o que somos, só o somos porque não seriamos nada caso não fossemos alguém. E ser alguém é estar consciente de que a ação está à frente do carro principal da nossa vida, e a lucidez é a forma mais precisa de guia-lo.

2 Comments:

Blogger Fábio Rockenbach said...

Moral é um conceito tão ambivalente quanto gosto: cada um tem a sua. Ela transita em torno desse "carro" de um jeito tão frágil quanto quem guia, muda conforme circunstâncias, é justificado conforme necessidade. Já desisti de debater moral, escolhas ou caminhos com quem quer que seja por perceber que simplesmente é inútil, esse tipo de escolha não cabe a mim tentar influenciar. Mas ninguém pode me impedir de criticar ou debater, se quiser. Isso - tentar fazer alguém pensar de um jeito apenas porque eu penso - sim seria a maior das ignorâncias. Acho que é a maior ignorância que acontece hoje em dia, velada, silenciosa, acontecendo a todo momento sem que esse povo coitado se dê conta. Belo texto...

4:38 AM  
Blogger Patrícia Colmenero said...

Oi!
Valew pelo seu comentário.
É sempre bom saber o que as pessoas pensam da sua literatura.
Vc disse que a minha ainda não encontrou um tipo de legitimação, pois pareço ainda recortar pensamentos de outras personalidade como a Cristiane F. e a Mayra Dias Gomes...
Entendo o que vc quer dizer, mas, ao mesmo tempo, penso que o problema não deve ser a temática, mas sim a forma, não?
Aquele meu poema é um dos mais diferentes do meu comum. Coloquei-o ali para ver no que dava.
Só me confirme o que vc achou dessa falta de personalidade que vc apontou. Quero muito saber a sua opinião e gostei de vc ter sido tão sincera. Isso faz bem.
Não entendi uma coisa : "Não que seja bem, nem que seja mal, algumas palavras só precisam ter sentido oral."
O que vc quis dizer?
Quanto ao seu texto, ele é meio sem unidade. Os assuntos vão se desenvolvendo sem muita conexão, principalmente, com o começo.
Mas é bem vivo, enérgico e isso é extremamente atraente.
Acho que só falta um controle melhor!
;)
Postei novo poema, me diga o que acha!

10:19 AM  

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