Em vários momentos somos espectros locomotores de futilidade. Envoltos por uma névoa abstrata de possibilidades. Possibilidades do ser, do existir, ou do simplesmente fingir que está tudo bem muito obrigada. Não deveriamos fazer testes com nós mesmos, nem se quer contracenar com um ator que não fosse a nossa própria imaginação. Mas é fato consumado, somos movidos pela vontade de parecer mais do que qualquer outra coisa, um personagem inquieto de uma novela dramática. O movimento prepulsor dos dias, à caminhada rumo ao espelho um entreolhar introspecto à alma, num piscar de olhos, é mera ação involuntária a procura de um alguém, que insiste em esconder-se. A maquiagem borrada que a chuva emoldura, abriga sob nossos guarda chuvas nada muito além do habitual. Aquela coisa de se deixar levar, de acordar todos os dias sem perceber que eles correm com uma destreza ímpar, enquanto há calçadas molhadas, escorregadias e poças lodacentas nos norteando. Naturalmente, para um bom observador esse negóco de crítica ao comportamento é uma boa desculpa para se encontrar em um patamar de hipocrisia sem fim, e de pura demagogia. Não existe time sem torcida, assim como não existem programa sem audiência e pessoas sem atenção. Nossa necessidade de despertar tal sensação nos outros é como um vinho barato, saborea-se, consciente de que em algumas horas, pode-se enxergar os anjos do inferno ou o paraíso que poderia ser a terra se não fossemos reles mortais. A crítica não amaldiçoa a interação, molda uma perspectiva vaga de um homem perfeito, que voa como um passáro, enquanto suas asas estão presas à estruturas de ferro. E sonha como uma criança, enquanto seu mais profundo desejo é o amadurecimento indolor.
Saturday, March 24, 2007
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