Analogias ao mundo moderno
"Édipo sem olhos enxergava, renan calheiros usando
óculos não enxerga."
óculos não enxerga."
O nascimento da tragédia
Os gregos foram sempre descritos como dominados pelo culto àbeleza e pela busca de leis e medidas tanto éticas quanto estéticas.Uma sabedoria mítica e arte trágica davam testemunho da presença de uma vigorosa filosofia pessimista. Os gregos teriam sido um povo de sensibilidade extrema para a vida, e com uma capacidade única para o sofrimento. Para viver tiveram que criar “ prazerosas e enganadoras ficções
Graças a uma “ sabedoria da aparência e da arte”, os gregos foram capazes de manter afastados os perigos representados por aquela sabedoria pessimista e também por ameaças vindas de fronteiras distantes como as festividades bárbaras orgásticas. Mesmo em um momento de perigo supremo a cultura grega artística soube promover uma inédita aproximação entre essas forças impetuosas do dionisíaco e a bela aparência. Nasce assim a tragédia que segundo Nietzsche é o emblema maior de sucesso alcançado por uma sabedoria de ilusão da arte. O mundo grego da bela aparência guardado por Apolo é um mundo estruturado de forma a proteger o grego da dolorosa percepção de uma verdade imanente à vida.A vida é tragédia, os gregos perceberam essa verdade e na arte a modelaram ao extremo em histórias emblemáticas. Eles se mantiveram superiores a outros povos bárbaros que caíram em cultos imorais graças a sua sabedoria da arte e graças a terem perpassado de princípios morais a tragédia grega ática, mesmo sendo pessimistas em relação ao sentido maior da vida, que só veio a ser revelado posteriormente com os judeus, através da revelação mosaica.
“ O grego conheceu e sentiu os horrores e espantos da existência para poder viver teve que colocar diante dele a resplandescente cultura onírica dos olímpicos.”
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“O mesmo instinto que dá a vida à arte como um complemento e uma consumação da existência destinados à induzir, a seguir vivendo foi o que fez surgir também o mundo olímpico.” Efeitos estéticos eram artifício e antídoto a ausência do sentido da vida.”
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“Uma ausência completa de limites levaria o homem ao esquecimento de si, e é justamente na arte grega em que o povo encontrou um sentido.”
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“O mesmo instinto que dá a vida à arte como um complemento e uma consumação da existência destinados à induzir, a seguir vivendo foi o que fez surgir também o mundo olímpico.” Efeitos estéticos eram artifício e antídoto a ausência do sentido da vida.”
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“Uma ausência completa de limites levaria o homem ao esquecimento de si, e é justamente na arte grega em que o povo encontrou um sentido.”
Sentido esse que os empunha princípios morais e éticos e o que os diferenciava dos outros povos, absortos em rituais que os elevavam a multidões homogêneas aniquilando a individualidade.
“Os princípios éticos e estéticos da medida e da beleza, realizados pela cultura grega apolínea representavam a demarcação de rígidas “barreiras” contra o avanço das forças dionísicas”.
A tragédia era a mídia da época apresentada através da arte formando a mentalidade do povo assim como as novelas hoje em dia com a vantagem quanto ao conteúdo daquela para esta.
Leônidas é um dos emblemas do idealismo espartano. A história grega antiga cantava heróis como Leônidas e Ulisses, a mídia canta heróis como Renan Calheiros.Renan Calheiros adulterou com a mãe ( a pátria) e matou o pai ( os princípios éticos) e não se inflingiu à cegueira e portanto mesmo tendo olhos é cego. O personagem Édipo da tragédia, cheio de culpa faz-se cego mas por isso mesmo ainda que cego vê ( com os olhos da alma.) ÉDIPO SEM OLHOS ENXERGAVA, RENAN CALHEIROS COM OLHOS NÃO ENXERGA. Renan é exemplo típico do que é em regra a nossa política, vemos a tragédia grega às avessas sem princípios morais ou éticos no planalto. Os jornais impressos, as Tv´s à cabo, web bloggers e noticiários da Grécia se centralizavam na expressão artística da época. A tragédia simbolizada pela linguagem oral e de expressão também é o berço de muitas figuras lingüísticas e metafóricas que estão presentes em nossa cultura, desde à literatura clássica à produções anônimas de web bloggers.
“A finalidade mais íntima de uma cultura orientada para a aparência e a mesura só pode ser com efeito o encobrimento da verdade”
Esta passagem sugere uma analogia ao que a nossa sociedade está vivendo, a partir do consumo acelerado, do surgimento de novas tecnologias e de informações muito rápidas e pouco codificadas criou-se uma sociedade de aparência, consumista. E em decorrência disto um padrão de beleza “inatingível” que só é atingido graças à tecnologia voltada a cirurgia estética. Por trás disto podemos apontar fatores como a necessidade de auto- afirmação do EU e da individualização dos povos em um mundo aparentemente perfeito que uma sociedade de consumo oferece. Assim como a sociedade Apolínea, hoje em dia este padrão de consumo e beleza sustenta os alicerces da sociedade moderna. Vale salientar que pessoas que não se encontram neste “novo padrão”, são consideradas aberrações, sofrem discriminação e preconceito e muitas vezes perdem uma boa colocação profissional justamente pela aparência disforme do padrão imposto. Podemos remeter este fato aos monstros mitológicos que essencialmente possuíam um quê de abomináveis. Produzimos minotauros em pleno século XXI e a ilha de Creta deles é a escória da nossa sociedade.
Diferente dos gregos no sentido da nossa sociedade considerar este padrão de perfeição somente estético em detrimento dos princípios éticos e morais. Perdemos por uma inversão de valores e conceitos, pois o verdadeiro ideal de perfeição e beleza descrito na tragédia grega traça fortemente a ética e a moral como forma de o homem alcançar a perfeição em uma sociedade corrompida e deturpada. Onde os prazeres muitas vezes falavam mais alto do que a razão, diminuindo o homem a um animal puramente instintivo. Estas fragilidades e potenciais de ambas as sociedades nos levam a crer que não seria nada mal se a medida e a manutenção dos padrões atuais levasse em conta as exigências apolíneas do “ conhece a ti mesmo” e do “ nada em demasia”. Nossa sociedade carece de líderes e de exemplos aos quais possamos nos espelhar para estabelecermos princípios e valores que nos tornem menos dissimulados e corruptos, assim como os gregos se espelhavam no divino. Estamos sob o “véu de maia” o véu da ilusão onde a imagem vale-se de tudo.
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[A expressão “véu de maia” vem do budismo que basea-se na concepção de que toda natureza visível é ilusória e que as realidades eternas são invisíveis. Segundo eles a diferença entre os sábios e os ignorantes é o produto do véu de maia. “O véu de maia nos mantêm adormecidos à medida em que limita nossas visões àquilo que entendemos como realidade: valorizamos somente o que é concreto, devemos obediência ao que o senso comum aprova e reconhecemos apenas os fenômenos empíricos, ignorando a legitimidade das experiências místicas. Nos sentimos inadequados cada vez que percebemos que o essencial é invisível aos olhos ou manifestamos o anticonvencional.”]
A sorte está lançada
“ A arte quer nos convencer do eterno prazer da existência: Só que este prazer, não devemos buscá-lo nas aparências, mas sim por trás delas.”
A tragédia que se apresenta através do poeta Ésquilo é revelada em um mundo de caos de forças sinistras inegáveis que nem mesmo a perfeição apolínea não pode anular, assim conclue-se que mesmo em uma sociedade com muitas características formadoras de grandes homens revela-se uma raiz intrínsecamente má. Por isso o pecado é para nós o símbolo da tentação e da morte também. Nossa crença popular nos leva a isto, muito os homens evoluíram na sua religiosidade e ela implica um duelo entre duas forças, assim como a batalha de tróia e as conquistas de esparta. O bem e o mal enfrentando-se cara a cara, na nossa vida e nas nossas ações, e é isto que a tragédia relata. O meramente humano, o símbolo do que poderia ser perfeito se não houvesse o pecado. Ésquilo diz: “Do que fala a sabedoria mítica senão daquela dolorosa experiência humana pela qual somos levados a “conhecer” a verdade da vida?”
Entre deuses e homens sobram aqueles que morrem. Mas há também aqueles que mesmo mortos formam modelos vivos e é esta a essência da tragédia grega que perdura em pleno século XXI.
Para Nietzsche a Tragédia Ática deve ser compreendida como esse “jogo estético da cultura apolínea” do “nada em demasia” com aquele mundo submerso do dionisíaco.
“Se a cultura apolínea divinizou os princípios da medida da harmonia e da bela aparência e com eles construiu um fascinante “artifício de velamento”, foi justamente porque pressentia próximo esse perigo, experiência esta traduzida pelo mito naquelas forças descomunais que dilaceraram Prometeu e conduziram o sábio Édipo a um pavoroso destino.”
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Esparta deu à luz a líderes, formadores de homens, onde por trás de cada homem havia uma grande mulher. Homens que eram fortes e brutos ao tempo que eram fracos e sensíveis. A guerra motivada pela libertação de um povo me faz pensar que nem tudo que é mal é totalmente mal ou ruim, há coisas que mesmo essencialmente brutais e devastadoras contribuem para algo genericamente bom. Estes homens que se levantaram no passado para tornar um pouco que seja, menos verdadeira a máxima do homem ser o lobo do homem. Sob esta perspectiva o filme 300 de Esparta se revela uma obra paradoxalmente grandiosa. E não há como negar que mesmo dentro daquela carnificina há romance entrelaçado em uma obstinada busca por um ideal comum. O espírito da mensagem do filme é a maneira pela qual todas as relações feitas aqui foram desenvolvidas partindo do fato de que a Grécia Antiga assim como a Idade Moderna, foi baseada nas duas forças que movem o planeta desde que o mundo é mundo. Sendo conhecedores destas duas faces da verdade tanto gregos quanto homens modernos buscam expressar através da cultura uma maneira de compreender o mundo, de situar em um plano perceptivo aquilo que sua alma sozinha não pode suportar.
