Thursday, July 19, 2007


Enredo Trágico!!!!!!
Era hora de recolher-me ao aconchego do berço, quando ouvi a notícia sobre o acidente do Airbus da Tam. Dois dias se passaram e as capas dos jornais sugerem luto e consternação. O fato de mais de cem pessoas morrerem de forma tão brusca indica o quanto nós estamos vulneráveis e impotentes diante dos acontecimentos. Faz-se necessária uma reflexão a respeito desta situação. O governo lastimou a perda de tais cidadãos e declarou luto oficial por três dias, uma ação sublime para quem vem dispensando atenção impar para com os fatos. Recentemente noticiou-se que o acidente poderia ter sido causado por uma falha no reverso das turbinas do avião, com o agravante da pista molhada a confirmação só virá com a abertura da caixa preta, que aliás, está sendo mandada para análise fora do país. Porque será? Porque além de deficiente, nosso sistema aeroviário vem apresentando falhas desde os últimos descalabros dos “apagões”, que por algum tempo estiveram presentes nas capas dos jornais em circulação no país. Nosso presidente além de declarar luto deveria tomar vergonha na cara, e tomar as rédeas do governo antes que o caos se instale novamente. As cenas chocantes dos escombros do edifício da Tam Express, não tocam apenas as famílias das vítimas, e sim todos os cidadãos que em frente à televisão se comoveram com tamanha barbaridade. Algo que poderia ser impedido não se trata de acidente e sim de irresponsabilidade, mais uma vez o jeitinho brasileiro “não dá nada” culminou em conseqüências irreparáveis para o país. Não se trata de uma fatalidade, as pessoas que estavam no vôo, em sua maioria, cumpriam seu papel, estavam trabalhando ao invés de encher o bolso com dinheiro dos cofres públicos aliás, esta frase vem se tornando clichê. O Brasil ao tempo que ganha, perde e assim nada vai para frente, esta tragédia só faz com estejamos mais convictos de que este emaranhado dissoluto de decisões mal tomadas pelo poder atuante tem de ser esclarecido, do contrário o vôo 3054 será o principio do que ainda está por vir.

Tuesday, July 17, 2007


Go Home! "Horror B"



O filme “Turistas” nada mais é do que um horror barato. A sutil semelhança com “O Albergue” de Quentin Tarantino não faz dele melhor. Sua estréia nos EUA, sob críticas arrasadoras de alguns dos principais jornais do mundo, só denotam o quanto o roteiro é equivocado. Ao apontar pontos fracos do Brasil, a história acaba virando um emaranhado de ideologias mal sucintas, que fazem com que o espectador se sinta horrorizado, ou como eu, indignado. As possibilidades de turistas que vem passar as férias no Brasil serem drogados, roubados, seqüestrados e torturados vítimas de uma quadrilha que rouba órgãos, liderada por um médico anti-imperialista e pseudo-nacionalista são surreais. O que denota uma falta de realismo e ponderação da parte do roteirista e do diretor do filme. Os turistas são burros e estão em busca de diversão barata, mulheres fartas, calor humano e praias paradisíacas.
O Brasil do carnaval e do futebol oferece tudo isto e mais um pouco, apesar de dissoluto não deixa de ser lírico, enquanto que o Brasil descrito no filme, é horror. As belas paisagens ficam atrás do enredo chocante. Faniquito, para quem odeia que falem mal do Brasil, e deixa, para uma polêmica na qual cada um pode defender o que lhe convém. A falta de tato do diretor John Stockwell ao utilizar um cenário paradisíaco transformando em “horror show”, se confirma pelo efeito surtido nas pessoas que assistiram o filme, estas ficaram chocadas pelo muito sangue derramado nas cenas que incluem exploração sexual, sadismo e xenofobia. Discordo com o ponto de vista do produtor Raul Guterres, ao alegar que nossa imagem já prejudica o Brasil. O Brasil fora explorado, e não de veras colonizado como os Eua, as conseqüências deste retrospecto são visíveis em nossa cultura, mas isso não faz de nós um lar de maníacos assassinos, alucinados por idéias psicóticas. e sim um país de marginalizados pela falta de oportunidade e pela cultura do tráfico. O homem é mal, seu instinto é perverso independente da sua nacionalidade, a procedência ainda desconhecida, sugere ser a mesma. Ora pois haveríamos de ficar calados ao ver nosso Brasil, malogrado e pintado de uma maneira da qual não é. Encerro este ensaio, politicamente mal correto, rezando para que o público estrangeiro realmente entenda o filme como mais um “horror show” americano, como sugere Dennis Harvey, crítico da bíblia do cinema, a “Variety”.