Sunday, April 15, 2007


Chicletismo comtemporâneo

Eis que surge um novo termo para designar a atual situação em que se encontram os casalsinhos enamorados hoje em dia, e até mesmo os que não estão, os que pensam que estão e os que tem fobia a simples idéia de estar apaixonado por alguém.
O sexo masculino transborda testosterona, por sua vez o feminino o julga impotente, desqualificado incompreensível e até mesmo cruel. Longe de mim estar tomando partido de um dos lados, vivemos em uma era totalmente livre, porém, no sentido real da palavra não podemos assim dizer que estamos livres. Nos anos 70, o amor livre era a forma alternativa de expressar os sentimentos recíprocos entre homens e mulheres em dada comunidade, eram "muitos" e "muitas", cheios de hormônios e amor pra dar. Nas cavernas, o macho alfa era o grande líder, o fodão da história, o caçador e provedor de sustento, enquanto as mulheres procriavam e cuidavam das crias, desconhecendo os atuais métodos anticoncepcionais porque obviamente não precisavam disso. Viviam para copular. Hoje em dia, o "chicletismo" generalizado em que encontram-se algumas relações entre macho e fêmea, por vezes apavora, noutras bota pra correr qualquer intenção de formar laços sólidos e duradouros. Alguns dizem que a culpa é da globalização, da mídia, da televisão, dos meios de comunicação, classificando-os como apelativos e superficiais. Outros dizem que se trata de um fenômeno comum, mulheres e homens à caça de um parceiro com as qualidades perfeitas, porém, nada de relacionamento sério, apenas objetivo. Fica-se, enrola-se, troca-se de parceiro, amor à moda antiga, nem mesmo as pseudo-virgens tem vocação pra provar. É incoerente dizer que tudo mudou, e mais incoerente ainda dizer que o ser humano está livre, leve e solto para apreciar quaisquer relacionamento sem compromisso. A verdade que impera sobre a questão é que todos nós estamos acondicionados a viver à procura ou se não à mercê de um envolvimento fugaz, que pode ser ou não duradouro. Algumas mulheres sentem-se tão livres que abandonam suas calcinhas. Por de baixo dos panos, das saias e dos paietês, não há nada mais nada menos do que um órgão fértil e sedendo de desejo. Alguns homens não mais caçam, apenas esperam a primeira fêmea oportunista dar a botada ou a segunda, a terceira , até mesmo a quinta pode ter alguma chance, dependendo da quantidade de álcool ingerida. Porém, não vamos generalizar as coisas, sabe-se que muitas mulheres e outros muitos homens, sendo eles exceção ou não, são reservados, sonhadores ao tempo que são altivos e carecem de uma auto afirmação, afirmação está que vem com uma par de calcinha e sutiã, ou com uma cueca boxer bem justa ao corpo malhado. O chicletismo a qual venho me referir é a constante e ameaçadora vontade, necessidade talvez, dos sexos estarem sempre colados um ao outro, e a outros e mais outros. É tudo uma grande bola de mascar, os relacionamentos humanos foram e sempre serão, objetivos, diretos, e eficazes. Assim como você compra um chiclete para mastigá-lo, saboreá-lo, entreter-se com ele, e depois jogá-lo ao vento pois perdeu-se o sabor, as relações a partir de hoje, ficam mais efêmeras, e a procura do ideal perfeito, escondido em alguma espaço de tempo, mais distante, pois somos seres dispersos, vulneráveis à situações, à pessoas e à bandos de gente que nem se quer conhecemos e ainda assim ousamos decifrar justamente porque, estas relações podem sofrer mudanças discrepantes ao longo do tempo, mas jamais perderão este algo que se chama INSTINTO.

Sunday, April 01, 2007



O primeiro e último dia da semana, seguindo o sábado e precedendo a segunda-feira, o domingo é vezes inspiração noutras consumidor do tédio.
Não costumo acordar cedo nos domingos, creio que isto não aconteça desde que era criança, quando o dia era marcado com churrasco para reunir a família, e voltas na avenida para tomar sorvete. Aquele cheiro de meio dia, a fumaça das churrasqueiras das casas disseminando pelas ruas o aroma inconfundível do churrasco, aquelas "televisões de cachorro", e os pombos pousando sobre o telhado das construções. A avenida vazia, alguns transeuntes perdidos pelo caminho, enquanto é hora de reunir os tios, os primos e avós, pra saborear este prato pitoresco e familiar. Os anos se passam, gastamos mais tempo com a internet do que com nossos parentes propriamente ditos. Talvez isso seja uma salvação, um alívio da contemporaneidade, ou a desgraça do laço familiar. Eis que nestes últimos tempos, ouço, paro, olho, cheiro e não sinto qualquer coisa que não seja a dor de cabeça que a ressaca proporciona em um belo dia de domingo. O tempo lá fora, não para, somos nós que o ignoramos, ou de certa forma, sufocamos o dia, pela busca acelerada de oxigênio da noite anterior. Uma fotossíntese que seria perfeita se esta relação além de bela, não fosse ordinária. Bem, mas vejamos, a noite, não tal como a inspiração matutina dominical, é poesia, boehmia, gatos pardos fuçando nos lixos, bêbados disformes, um paradoxo no qual sempre ousamos arriscar. Mais uma vez, mais duas ou três, bitucas e fumaça de cigarro se divagam pela paisagem negra, iluminada pela lua, e encantada pelas estrelas que na mais pura e cruel realidade, são apenas pontos luminosos que sustentam nossa ilusão. Eu apostaria todos os meus devaneios, e os seus também, se pudesses me provar o quão poderia o dia ser melhor que a noite, se estes não coexistissem. Eis que é bom se sonhar de dia, é bom acordar de dia, e até mesmo dormir de dia, assim como é bom sonhar à noite e viver à noite truncada em um paradigma de boas intenções, pois como dizia Dante, boas intenções pavimentam a estrada para o inferno. Pois a noite não se faz inferno e sim a realidade escancarada em sua moral. Antes mesmo do primeiro gole, absorto e medíocre, o bêbado depara-se preso, nu, emaranhado em lodo, a qual só ele mesmo consegue sujar-se, pois a onda proveitosa que magnetiza qualquer olho, durante a noite, pode ser um desastre para quem não conhece suas armadilhas. Antes mesmo de encerrar, gostaria de acrescentar, que as churrasqueiras, estão cheias e fumegando por todas as casas neste domingo, agora nublado. A chuva caindo, e abafando todo aquele mero ritual, tipicamente simples e puramente conceitual. As nuvens escondendo o horizonte, os vidros molhados por toda a aguaceira, as poças, as árvores, a paisagem, o contexto em si, uma abstração súbita e então logo se faz noite novamente, não como no primeiro mas a segunda, nasce em tom magistral.